terça-feira, 5 de janeiro de 2021

ESTAMOS VIVENDO O AMOR DE JESUS?

 



Robinson L Araujo[1]

 

É bem verdade que ao longo dos tempos, os cristãos tentam lidar com a esmagadora realidade da Pessoa de Jesus Cristo e de todo Seu amor para com a humanidade, adaptando-o a sua era, ao momento, a cultura e a infinidade de "balelas" que tentam definir a Pessoa e o amor de Jesus Cristo. Tentamos adaptar a Verdade sobre Jesus Cristo à nossa realidade pessoal.

Interessante foi a pergunta de Jesus a Seus discípulos, em Lucas 9:18-20:

18. Certo dia, Jesus orava em particular, acompanhado apenas dos discípulos. Ele lhes perguntou: “Quem as multidões dizem que eu sou?”. 19. Os discípulos responderam: “Alguns dizem que o Senhor é João Batista; outros, que é Elias; e outros ainda, que é um dos profetas antigos que ressuscitou”. 20. “E vocês?”, perguntou Ele. “Quem vocês dizem que Eu Sou?” Pedro respondeu: “O Senhor é o Cristo enviado por DEUS!”.

Manning (2014. p.138-140) traça algumas tendência em todo cristão de "reimaginar" o Homem da Galiléia, de conceber um tipo de Jesus com o qual possamos viver, de projetar um Cristo que confirme nossas preferências e preconceitos, vejamos:

ü  Para muitos hippies dos anos 1960, Jesus era muito semelhante a eles — agitador e crítico social, alguém que não se dobrou ao sistema, profeta da contracultura;

ü  Para muitos yuppies[i] dos anos 1980, Jesus era o provedor de uma boa vida, o Senhor do spa, um jovem executivo motivado com uma missão messiânica, profeta da prosperidade e da limusine com chofer. Afinal de contas, ele não nos prometia cem vezes mais nesta vida?;

ü  Nos primórdios da era cristã, o "Jesus César". Em seu nome, a igreja combinou riqueza e poder político com serviço professado a DEUS: um casamento profano entre igreja e estado em que o papa em seu manto de arminho e César em toga de seda se mancomunavam para construir impérios;

ü  Encontramos a mesma aliança sacrílega na capital da nação quando determinados líderes religiosos espreitam os corredores do poder batizando alguns políticos e colocando outros na lista negra, sempre alegando encontrar suporte no ensino de Jesus.

ü  O "Jesus Apolo" veio em seguida: visionário romântico, um belo líder humano sem nenhuma conotação controversa;

ü  Tornou-se o herói dos charmosos e talentosos cavalheiros do século XIX e começo do XX...

Em toda época e cultura tendemos a moldar Jesus à nossa imagem e a maquiá-lo de acordo com nossas necessidades a fim de lidar com o estresse que sua presença sem disfarce provoca. "Numa trincheira Jesus é um esquadrão de resgate; na cadeira do dentista, um anestésico; no dia da prova, um solucionador de problemas; numa sociedade afluente, um moderado bem barbeado; para um habitante da América Central, um revolucionário barbudo". Se pensamos em Jesus como amigo de pecadores, os pecadores são provavelmente nosso tipo de gente.

Manning (2014) acaba afirmando: "Sei, por exemplo, que Jesus é amigo de alcoólatras. Minha história pessoal e condicionamento cultural tornam Jesus compatível e compassivo com pecadores seletos como eu. Tenho como lidar com esse Jesus".

O mundo anseia pela resposta, não por palavras, mas, por atitudes de verdadeiros Discípulos/Filhos de DEUS.

E a pergunta ainda é a mesma que o Mestre fizera a Seus discípulos: "E vós, quem dizeis que Eu Sou?".

Jesus é o revelador da natureza da Divindade, sendo assim, somente Ele pode revelar a Paternidade incomparável de DEUS. Se reuníssemos toda a bondade, sabedoria e compaixão dos melhores pais e mães que já existiram, teríamos apenas uma leve sombra do amor e da misericórdia no coração do DEUS redentor.

Para isso, basta olharmos para João 14:9-10, quando Ele afirma: "Jesus respondeu: “Filipe, estive com vocês todo esse tempo e você ainda não sabe quem eu sou? Quem me vê, vê o Pai! Então por que me pede para mostrar o Pai? Você não crê que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu digo não são minhas, mas de meu Pai, que permanece em mim e realiza suas obras por meu intermédio".

Jesus é a expressão completa de DEUS! Sendo assim, II Coríntios 5:17-19, afirma:

17. Logo, todo aquele que está em Cristo se tornou nova criação. A velha vida acabou, e uma nova vida teve início! 18. E tudo isso vem de DEUS, aquele que nos trouxe de volta para Si por meio de Cristo e nos encarregou de reconciliar outros com Ele. 19. Pois, em Cristo, DEUS estava reconciliando consigo o mundo, não levando mais em conta os pecados das pessoas. E Ele nos deu esta mensagem maravilhosa de reconciliação.

Por meio do amor de Aba, através de Seu Filhos Jesus Cristo, somos reconciliados, não importando nossos pecados, pois não é pela Lei e sim por Sua Graça: "Vocês são salvos pela graça, por meio da fé. Isso não vem de vocês; é uma dádiva de DEUS. Não é uma recompensa pela prática de boas obras, para que ninguém venha a se orgulhar". (Efésios 2:8-9).

Somos constrangidos pelo amor do Pai e esse amor, deve nos levar a uma mudança de atitude para com as pessoas, conforme Ii Coríntios 5:14-16:

14. De qualquer forma, o amor de Cristo nos impulsiona. Porque cremos que Ele morreu por todos, também cremos que todos morreram. 15. Ele morreu por todos, para que os que recebem Sua nova vida não vivam mais para si mesmos, mas para Cristo, que morreu e ressuscitou por eles. 16. Portanto, não avaliamos mais ninguém do ponto de vista humano. Em outros tempos, pensávamos em Cristo apenas do ponto de vista humano, mas agora o conhecemos de modo bem diferente.

O cristianismo se move num clima completamente permeado de amor, e somos chamados a uma vida de discipulado compatível com Ele - não vivendo num nível pré-cristão, encarando DEUS apenas em termos de leis, regras e obrigações. DEUS é amor. Apenas o amor de Jesus Cristo manifesto na cruz é certo.

A experiência Aba é a origem e o segredo de Cristo, de Seu Ser, Sua mensagem e modo de viver. É compreendida apenas por aqueles que a compartilham. Enquanto não nos encontrarmos com o Pai de Jesus e não O conhecermos como um Pai amoroso e perdoador, será impossível entender o ensinamento de Jesus a respeito do amor.

As parábolas da misericórdia divina - a moeda perdida, a ovelha perdida, o filho perdido - estão enraizadas na própria experiência de Jesus com seu Pai. Ele fala à luz dessa realidade. Essas histórias destinavam-se não apenas a defender Sua notória conduta pessoal ao lado dos pecadores, mas a apanhar de surpresa seus críticos, abrindo uma fissura em seu modo convencional de pensar a respeito de DEUS. Jesus alfinetava seus oponentes com palavras que de fato significavam: "As prostitutas que não possuem qualquer integridade imaginada para proteger estarão dançando no reino enquanto vocês terão sua alegada virtude extinta!

Temos o privilégio de compartilhar a intimidade de Jesus com Seu Pai. Somos chamados a viver e a comemorar a mesma liberdade que tornou Jesus tão atraente e autêntico. Ao invés de julgar uma pessoa, é preciso abraçá-la e expressar o amor de Jesus, ao ponto de se dizer: "Bem vindo ao lar", como uma palavra autêntica vindo do nosso irmão Jesus Cristo.

Tantos cristãos acabam parando em Jesus. Permanecem no Caminho sem chegar a onde o Caminho os conduz — ao Pai. Querem ser irmãos e irmãs sem serem filhos e filhas. Neles se cumpre o lamento de Jesus: "Pai justo, o mundo não te conheceu" (João 17:25). Como o Pai o amou, Jesus nos amaria e nos convidaria a fazer o mesmo: "Amai uns aos outros assim como eu vos amei". (João 15:12).

Por meio de um conhecimento íntimo de Jesus Cristo, aprendemos a nos perdoar. À medida que permitirmos que Sua bondade, paciência e confiança para conosco nos conquistem, seremos libertos daquela antipatia por nós mesmos que nos persegue por onde vamos. E simplesmente impossível conhecer o amor de Jesus por nós sem que alteremos nossa opinião e sentimento a respeito de nós mesmos e nos unamos a Ele em seu amor de plena aceitação por nós. O perdão de Cristo nos reconcilia com Ele, conosco e com toda a comunidade. Um modo de saber como Jesus se sente a seu respeito é o seguinte: se você se ama intensa e livremente, então seus sentimentos a seu respeito correspondem perfeitamente aos sentimentos de Jesus.

"Já vos não chamarei servos [...] mas tenho-vos chamado amigos" (João 15:15). Agostinho disse a respeito desse último versículo: "Um amigo é alguém que sabe tudo a seu respeito e ainda assim o aceita". Este é o sonho de que todos compartilhamos: conhecer um dia uma pessoa com quem eu possa realmente conversar, que compreenderá a mim e as palavras que digo, e ouça mesmo aquilo que não é dito - e continue ainda assim a gostar de mim. Jesus Cristo é a realização desse sonho.

"Como o Pai me amou, assim eu também vos amei" (João 15:9). Jesus nos ama como somos e não como deveríamos ser, já que nenhum de nós é como deveria ser.

Se você abordasse Paulo e quisesse discutir a reforma paroquial ou a adoração contemporânea, ele responderia: "Não tenho nenhuma compreensão de igreja ou de religião que não seja a do homem sagrado, Jesus, que me amou e se entregou por mim".

Tendemos a restringir nosso afeto e nossa aceitação para alguns selecionados. Porém Jesus aprofunda a amizade humana da mesma forma que aprofunda tudo que toca. Sem Ele, achamos difícil nos relacionarmos com determinadas pessoas de modo amoroso e respeitador.

Certa cerimônia aliada a uma atitude crítica nos impede de oferecer a essas pessoas o que elas mais carecem - encorajamento para sua vida. A amizade de Jesus, porém, nos capacita a ver os outros como Ele via os Doze: imperfeitos, mas bons, curadores feridos, filhos do Pai.

Descobrimos que somos compatíveis com um espectro amplo de pessoas com as quais costumávamos não nos sentir à vontade e passamos a orar como Thomas Merton[2]: "Obrigado, Senhor, porque sou como o restante dos homens".

Precisamos aprofundar as raízes de amor de DEUS em nosso coração, por meio do amor que Ele verte por nós na vida de outras pessoas. Efésios 3:17-19 nos diz:

17. Então Cristo habitará em seu coração à medida que vocês confiarem nEle. Suas raízes se aprofundarão em amor e os manterão fortes. 18. Também peço que, como convém a todo o povo santo, vocês possam compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo. 19. Que vocês experimentem esse amor, ainda que seja grande demais para ser inteiramente compreendido. Então vocês serão preenchidos com toda a plenitude de vida e poder que vêm de DEUS.

Prestemos atenção ao que o Apóstolo Paulo quis dizer: É impossível conhecer perfeitamente o amor de Cristo. Precisamos abrir mão de nossas percepções empobrecidas, farisaicas, tradicionalistas, legalistas e humanas acerca de DEUS e abrir-nos para o DEUS em Jesus Cristo. Se o fizermos, temos a promessa de que seremos inteiramente preenchidos pela plenitude de DEUS.

Efésios 4:13, fala: "até que todos alcancemos a unidade que a fé e o conhecimento do Filho de Deus produzem e amadureçamos, chegando à completa medida da estatura de Cristo".

Que DEUS nos capacite a amarmos mais do que julgarmos as pessoas. Ele nos ama para que tenhamos uma caminhada em Vida Plena.

 

 REFERÊNCIAS

Bíblia Nova Versão Transformadora. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/nvt>. Acessado em: 03 jan. 2021.

MANNING, Brennan. A assinatura de Jesus: o chamado a uma vida marcada por paixão santa e fé inabalável. Traduzido por Maria Emília de Oliveira. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2014.



[1] Pastor - discípulo de Cristo - e-mail: robinson.luis@bol.com.br - Redes sociais: @prrobinsonlaraujo - 05/01/21.

[2] Escritor católico do século XX. Monge trapista da Abadia de Gethsemani, Kentucky.



[i] Expressão inglesa que significa "Young Urban Professional", ou seja, Jovem Profissional Urbano. É um termo usado para se referir a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta. Os yuppies em geral possuem formação universitária, valorizam bens materiais, trabalham em suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda. Disponível em: < https://www.significados.com.br/yuppies/#:~:text=Yuppies%20%C3%A9%20uma%20express%C3%A3o%20inglesa,m%C3%A9dia%20e%20a%20classe%20alta>. Acessado em: 05 jan. 2021.

 

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

ESTOU PREPARADO PARA AS RESPOSTAS DE MINHAS ORAÇÕES?

 


Robinson L Araujo[1]

 

De fato, existe um grande "problema" quando oramos é o de estar preparado para receber a resposta da oração.

Muitas vezes achamos que não sabemos ou temos capacidade para orar. Os discípulos de Jesus, mesmo andando algum tempo com Ele, em Lucas 11:1, um de seus discípulos pede: "...Senhor, ensina-nos a orar...". O curioso que naquele momento, Jesus estava orando em determinado lugar.

Já no livro de Mateus 6:5-8, o Senhor apresenta algumas maneiras de como orar e de como não orar, vejamos:

5. “Quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas, que gostam de orar em público nas sinagogas e nas esquinas, onde todos possam vê-los. Eu lhes digo a verdade: eles não receberão outra recompensa além dessa. 6. Mas, quando orarem, cada um vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, em segredo. Então seu Pai, que observa em segredo, os recompensará. 7. “Ao orar, não repitam frases vazias sem parar, como fazem os gentios. Eles acham que, se repetirem as palavras várias vezes, suas orações serão respondidas. 8. Não sejam como eles, pois seu Pai sabe exatamente do que vocês precisam antes mesmo de pedirem.

Assim, encontramos:

ü  Não usar a oração como forma de engrandecimento;

ü  Estar no secreto com DEUS;

ü  Não usar de vans repetições, o famoso "encher linguiça";

ü  O Pai Abba sabe do que precisamos antes mesmo de Lhe pedir.

Em seguida, Jesus Passa a lhes demonstrar de que forma se deve orar, versos de 9 a 13 de Mateus 6:

9. “Portanto, orem da seguinte forma: Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome. 10. Venha o teu reino. Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. 11. Dá-nos hoje o pão para este dia, 12. e perdoa nossas dívidas, assim como perdoamos os nossos devedores. 13. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém.

Um modelo a ser seguido e não somente repetido, como um "mantra".

Outra característica que a oração deve ter, seria continuidade, como em I Tessalonicenses 5:17, que diz: "Nunca deixem de orar", em outras traduções: "orai sem cessar".

Quando se propõe a viver uma vida de oração sem cessar, creio que aqui somos levados ao quebrantamento de nosso ego pela crucificação dele na cruz do calvário. Daí, realmente começará, como falei no início, o nosso "problema" em orar e pedir ao Senhor.

Será que queremos realmente o que pedimos e estamos preparados para receber aquilo que pedimos por meio de nossas orações? Já orou ao Senhor pedindo para dedicar-se mais em sua vida de oração? Já orou para ter mais entendimento vivo e consciente da presença de DEUS dentro de você durante o dia? Para que Ele melhore seus relacionamentos e lhe dê humildade? Acho que não!

Por que então, quando o Senhor responde nossas preces, acabamos por nos retrairmos chocados e tristes, pelo fato da resposta ao que pedimos? Pedimos muitas vezes amadurecimento cristão e crescimento espiritual, porém não queremos - ao menos da maneira que o Senhor quer nos dar. Esquecemos que a resposta vem dEle e não é do desejo que desejamos.

O problema de orarmos é que DEUS responde as nossas orações! É a melhor forma de DEUS nos puxar para perto dEle.

"Senhor, faz de mim o que devo ser; muda-me, a qualquer custo". Ao proferir essas palavras perigosas, devemos estar preparados para que Deus as ouça. Essas são palavras perigosas porque o amor de Deus não tem remorsos. Deus quer nossa salvação com a determinação de sua devida importância. E, conclui o Pastor de Hermas: "Deus não nos deixa até que nos tenha partido o coração e os ossos". Ele ainda diz: "Devemos ser cuidadosos para não buscar experiências místicas quando deveríamos buscar arrependimento e conversão".

Daí vem às palavras de Jesus: "Aprendam de Mim, pois Sou manso e humilde de coração". (Mateus 11:29).

O que é ser humilde? É a dura percepção e aceitação do fato de que sou totalmente dependente do amor e da misericórdia de Deus. Ela cresce por meio de um despir-se de toda auto-suficiência. A humildade não se adquire com a repetição de frases piedosas; ela é executada pela mão de Deus. É Jó sobre o monturo vez após outra enquanto Deus nos lembra de que ele é a única esperança verdadeira. É a afirmação de Apocalipse 3:17 que afirma: "Você diz: ‘Sou rico e próspero, não preciso de coisa alguma’. E não percebe que é infeliz, miserável, pobre, cego e está nu".

Manning (2014. p.125) nos apresenta uma lenda cristã muito antiga:

Quando o Filho de Deus pregado à cruz entregou o espírito, foi diretamente da cruz ao inferno libertar todos os pecadores que estavam em tormento ali. O Diabo chorou e lamentou, porque pensava que não conseguiria mais pecadores para o inferno. Então Deus disse a ele: "Não chore, pois vou lhe mandar todos aqueles santos que se tornaram complacentes na consciência de sua bondade e cheios de justiça própria na condenação dos pecadores. E o inferno se encherá novamente por gerações até que eu volte"[2]

Na maior parte do tempo o cristão auto-suficiente está cego para suas arrogantes pretensões. Ele segue seu caminho feliz recitando frasezinhas piedosas como: "Jesus, mantém-me humilde". E por fim o Deus que não pode ser manipulado ou controlado replica: "Tudo bem. Você quer ser humilde? Esta sequência de humilhações e fracassos deve dar um jeito nisso".

A escola da humilhação é uma grande experiência de aprendizado; não há outra igual. Quando o dom de um coração humilde é concedido, aceitamo-nos mais e nos tornamos menos críticos dos outros. O autoconhecimento traz uma consciência humilde e realista de nossas limitações. Leva-nos a ser pacientes e compassivos para com os outros quando éramos antes exigentes, insensíveis e arrogantes. Desaparecem a complacência e a estreiteza de mente que tornam Deus supérfluo. Para a pessoa humilde, existe a constante consciência da própria fraqueza, insuficiência e desesperada carência de Deus.

É claro que a experiência mais devastadora da redução do ego acontece quando oramos: "Senhor, aumenta a minha fé". Temos de pisar com cuidado aqui, porque a vida de pura fé é como uma noite escura. Nesta "noite" DEUS permite que vivamos pela fé, e pela fé apenas. Uma fé madura não tem como crescer enquanto estamos empanturrados de todos os tipos de confortos e consolações espirituais. Todos esses devem ser removidos se é para avançarmos na direção da pura confiança em DEUS. O Senhor retira todas as escoras tangíveis a fim de nos purificar o coração, para discernir se estamos apaixonados pelos dons do Doador ou pelo Doador dos dons.

Muitas vezes as nossas orações tomaram um sentido superficial, são como um sino que soa na nossa alma vazia. O Espírito Santo que habita dentro de nós, convida-nos a sair da superficialidade e a penetrarmos em solo mais profundos.

É tranquilizador saber que o crescimento na fé tão desejado não está distante; que o amor e a misericórdia de DEUS não nos abandona, mesmo quando achamos que Ele foi "radical"em sua resposta a nossa oração.

Essa resposta a nossa oração de forma contrária ao que esperávamos, acaba por nos levar a um encontro com Jesus Cristo de uma forma diferente, marcando o começo de uma vida mais profunda de fé, na qual florescem alegria e paz, mesmo diante da "escuridão" que a resposta de nossa oração nos levou a experimentar, por não criarem raízes em sentimentos humanos de forma superficial, mas na profundidade da certeza misteriosa da fé de que Ele é o mesmo ontem, hoje e sempre. A alegria e a tristeza podem destruir os nossos sentimentos, mas sob essa superfície em movimento DEUS habita na escuridão. É lá que vamos encontrá-Lo; é lá que passamos a orar em paz e em silêncio, atentos ao DEUS cujo amor não conhece sombra de mudança.

DEUS acaba nos despindo de nossos encantamentos naturais e das consolações espirituais a fim de penetrar mais fundo em um relacionamento de intimidade em nosso coração. A nossa maturidade cristã está em conceder a DEUS a liberdade de exercer Sua sabedoria soberana em nós, sem que por frustração, abandonemos  uma vida de oração disciplinada, nem que corramos para as distrações que o mundo nos oferece.

É quando chegamos ao fundo do poço e somos esvaziados de tudo o que consideramos importante, então passamos a orar de verdade, tornamo-nos humildes e desapegados de verdade e vivemos na escuridão brilhante da fé. Em meio a esse esvaziamento, que temos a certeza que o Senhor não nos abandonou, Ele trabalhou para que os obstáculos que atrapalhavam minha comunhão com ele fossem retirados e passamos a desfrutar de uma comunhão mais profunda com Ele. Vejamos a diferença de oração, descrita em Lucas 18:10-14:

10. “Dois homens foram ao templo orar. Um deles era fariseu, e o outro, cobrador de impostos. 11. O fariseu, em pé, fazia esta oração: ‘Eu te agradeço, Deus, porque não sou como as demais pessoas: desonestas, pecadoras, adúlteras. E, com certeza, não sou como aquele cobrador de impostos. 12. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo que ganho’. 13. “Mas o cobrador de impostos ficou a distância e não tinha coragem nem de levantar os olhos para o céu enquanto orava. Em vez disso, batia no peito e dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, pois sou pecador’. 14. Eu lhes digo que foi o cobrador de impostos, e não o fariseu, quem voltou para casa justificado diante de Deus. Pois aqueles que se exaltam serão humilhados, e aqueles que se humilham serão exaltados”.

Nenhuma mente humana jamais compreendeu as profundezas da desolação da noite escura que o próprio Jesus Cristo viveu, a solidão e abandono completo por trás do clamor de Jesus descrito em Mateus 27:46: "Por volta das três da tarde, Jesus clamou em alta voz: “Eli, Eli, lamá sabactâni?”, que quer dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”.

A cruz é o símbolo de nossa salvação e deve ser o padrão de nossa caminhada, pois, tudo o que aconteceu a Cristo, de certa forma acabou nos envolvendo e vivemos de alguma forma. Quando a escuridão chega, fruto de nossas orações, ela acaba nos envolvendo, tornando-nos surdos a tudo, menos ao grito de nossa própria dor e clamor, é bom sabermos que DEUS está traçando em nós o caráter de Seu Filho.

Para o Filho, a escuridão da noite abriu caminho para a luz da manhã, conforme Filipenses 2:9-11 que dia:

9. Por isso Deus o elevou ao lugar de mais alta honra e lhe deu o nome que está acima de todos os nomes, 10. para que, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre, nos céus, na terra e debaixo da terra, 11. e toda língua declare que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus, o Pai.

Estamos preparados para a resposta de nossas orações? Estou pronto para que o Senhor retire todas as estacas que possam impedir a minha comunhão plena para com Ele? E se a escuridão da noite chegar, qual será minha reação?

Que a oração de São Francisco de Assis, seja uma verdade em nossa vida...

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz

Onde houver ódio, que eu leve o amor

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão

Onde houver a discórdia, que eu leve a união

Onde houver dúvida, que eu leve a fé

Onde houver erro, que eu leve a verdade

Onde houver desespero que eu leve a esperança

Onde houver a tristeza, que eu leve alegria

Onde houver trevas, que eu leve a luz

 

Ó mestre, fazei-me que eu procure mais, consolar que ser consolado

Compreender que ser compreendido

Amar, que ser amado

Pois é dando que se recebe

É perdoando que se é perdoado

E é morrendo que se vive para a vida eterna

 

 

 REFERÊNCIAS

Bíblia Nova Versão Transformadora. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/nvt>. Acessado em: 24 nov. 2020.

MANNING, Brennan. A assinatura de Jesus: o chamado a uma vida marcada por paixão santa e fé inabalável. Traduzido por Maria Emília de Oliveira. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2014.



[1] Pastor - discípulo de Cristo - e-mail: robinson.luis@bol.com.br - Redes sociais: @prrobinsonlaraujo - 15/12/20.

[2] Anthony DEMELLO, The Song of the Bird, p. 134

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

EM QUE CONSISTE O REINO DE DEUS?

 


Robinson L Araujo[1]

 

De fato, faz-se necessário pensarmos e termos a convicção sobre em que consiste o Reino de DEUS. A primeira afirmativa é que o Reino de DEUS não consiste em palavras, mas em Poder, fonte de transformação e informação. É a essência do poder transformador do Evangelho, que ora, fora vertido ao olharmos e vermos que a cruz se encontra vazia.

Outra afirmativa que não se pode fugir, é que esse Poder que transcende todo o entendimento humano, é poderoso o suficiente para transformar. Tanto é que o Apóstolo Paulo escreve em Hebreus 4:12-13:

12. Tudo o que DEUS diz é sério. O que Ele diz, acontece. Sua poderosa Palavra é aguda como o bisturi e capaz de cortar tudo, seja dúvida, seja desculpa, mantendo-nos abertos para ouvir e obedecer. 13. Nada - nem ninguém - está fora do alcance da Palavra de DEUS. Não se pode fugir dela - não há como. (A Mensagem).

Em outras versões é uma poderosa espada de dois gumes ou, afiada dos dois lados da sua lâmina, com poder de penetrar entre alma e espírito, entre juntas e medulas, separando aquilo que a minha alma deseja, dando lugar ao que importa para o meu espírito! Isso porque, a vida espiritual é simplesmente a vida vivida com a visão da fé. E viver em fé, é estar alicerçado em Hebreus 11:1, que define: "O fato essencial da existência é que esta confiança em DEUS, esta fé é o alicerce sólido que sustenta qualquer coisa que faça a vida digna de ser vivida. É pela fé que lidamos com o que não podemos ver". (A Mensagem).

Assim, o exercício de fé que leva-nos a dimensão de separar os desejos do coração (alma) com a vontade dado pelo Poder da Palavra (espiritual), concede-nos uma certeza: "Há uma única espiritualidade na igreja do Senhor Jesus: a espiritualidade pascal. Essencialmente, é nossa morte diária para o pecado, o egoísmo, a desonestidade e o amor degradado a fim de nos alçarmos à novidade de vida". (Manning, 2014).

É a afirmação de Paulo: "Não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gálatas 2:20). Cada vez que desfechamos um golpe mortal no ego, cada vez que escolhemos caminhar aquela milha adicional, por oferecer a outra face, abraçar em vez de rejeitar, somos compassivos em vez de competitivos, beijamos em vez de morder, perdoamos e nos abstemos de massagear a contusão mais recente de nosso ego ferido, estamos passando da morte para a vida.

Sendo assim, Paulo nos conclama para uma mudança de atitude, oferecida somente pelo Poder que foi e é vertido da cruz, levando-nos a conversão, ou seja, a uma metanoia, significando uma transformação radical do nosso "eu". Para isso, MANNING (2014. P.101) diz:

Descobrimos que um relacionamento pessoal com Jesus Cristo não pode mais ser contido num código de permissões e proibições. Ele se toma como escreveu Jeremias, uma aliança escrita nas tábuas de carne do coração e gravada no mais profundo de nosso ser. A conversão nos abre para uma nova agenda, novas prioridades, uma diferente hierarquia de valores. Ela nos faz migrar de professar Jesus como Salvador a confessá-lo como Senhor, de uma descuidada acomodação de fé em nossa cultura a uma fé vivida na verdade consumidora do Evangelho.

Muitas vezes, queremos transformar as pessoas pela intimidação das regras que uma determinada "doutrina" empoe na vida das pessoas, querendo igualar o Poder do Evangelho em regras e costumes, em "achismos" totalmente desprovidos do amor de DEUS.

A isso, HEAGLE (1981. P. 34) instrui:

O oposto de conversão é aversão. O outro lado da metanoia é paranóia. A paranóia é geralmente compreendida no sentido psicológico. É caracterizada por medo, suspeita e fuga da realidade. A paranóia resulta comumente em elaboradas alucinações e auto-ilusão. No contexto bíblico, a paranóia implica mais do que desequilíbrio emocional ou mental. Ela se refere a uma atitude de ser, uma postura do coração. A paranóia espiritual é uma fuga de DEUS e de nosso verdadeiro eu. É uma tentativa de escapar da responsabilidade pessoal. É a tendência de evitar a o custo do discipulado e buscar uma rota de fuga das exigências do Evangelho. A paranóia de espírito é uma tentativa de negar a realidade de Jesus de tal modo que racionalizamos nosso comportamento e escolhemos o próprio caminho.

A paranóia acaba por nos levar a viver um evangelho da graça de péssima qualidade, tão barato que seu significado perde valor. Acaba por diluir a fé em uma mistura morna da Bíblia, uma espiritualidade que não nos leva ao verdadeiro discipulado em se ter a mente de Cristo, adquirido por Sua morte e ressurreição, trazendo vida e vida abundante (João 10:10).

Quando o Poder, que constitui o Reino de DEUS provoca uma metanoia em nossa mente pelo ato salvístico de Cristo morto e ressurreto, passa-se a vivenciar algumas características da espiritualidade vertida naquela cruz, apontadas por Brennan, sendo elas:

 

·      A espiritualidade vertida pelo Poder do Evangelho é Cristocêntrica, ou seja, é por meio de Cristo, por Cristo e em Cristo

Nada que sobreponha Cristo deverá assumir a primazia em nossa vida. Muitos acabam por dar demasiado destaque aos próprios dons espirituais, deixando-se em segundo plano o mistério da morte e da ressurreição.

 A pergunta feita por três vezes a Pedro foi: Você me ama? Sendo ainda, o critério pelo qual Cristo avalia Seus amigos e os que O rejeitam continua a ser: "Você me ama?". Para João, em sua carta, na comunidade cristã a dignidade não se constitui apostolado ou cargo, nem títulos, dons de profecia ou curas, nem pregação inspirada, mas somente intimidade com Jesus. Esse é o status de que todos os cristãos deveriam desfrutar em sua totalidade.

Raymond E. Brow[2], afirmou em seu livro: As Igrejas dos Apóstolos:

Todos os cristãos são discípulos, e entre eles a grandeza é determinada por um relacionamento amoroso com Jesus, não por função ou cargo Cargos eclesiásticos e até mesmo o apostolado são de menor importância quando comparados ao discipulado, que é literalmente questão de vida ou morte. Dentro desse discipulado não há cristãos de segunda classe.

O que se precisa ter em mente é que, se a nossa jornada cristã não produzir Cristo em nós, se a passagem dos anos não formar Jesus em nós de tal maneira que nos tronemos semelhantes a Ele, nossa espiritualidade está falida. Apenas o amor de Jesus Cristo concede status na comunidade cristã.

Brennan (2014) leva-nos a pensar que fomos chamados a sermos uma manifestação única e singular da verdade e do amor de Cristo, não uma cópia em papel-carbono de outra pessoa.

 

·         A espiritualidade vertida pelo Poder do Evangelho tira-nos do egocentrismo e nos projeta ao corpo, comunidade do povo de DEUS

A espiritualidade pascal afirma que o teste mais verdadeiro do discipulado é o modo que vivemos uns com s outros na comunidade da fé. E simples e exigente assim. Em nossas palavras e nossos atos damos formato e forma a nossa fé a cada dia. Fazemos as pessoas um pouquinho melhores ou as deixamos ainda piores. Afirmamos ou desprovemos, ampliamos ou diminuímos a vida dos outros. I João 4:19-21, afirma-nos:

19. Nós amamos porque ele nos amou primeiro. 20. Se alguém afirma: “Amo a Deus”, mas odeia seu irmão, é mentiroso, pois se não amamos nosso irmão, a quem vemos, como amaremos a Deus, a quem não vemos? 21. Ele nos deu este mandamento: quem ama a Deus, ame também seus irmãos.

A vida cristã deve ser vivida em comunidade, não de forma individualizada, como que a salvação caberia somente a mim. É a vida em comunidade que demonstra uma imitação radical da Santa Trindade, que significa: Diálogo, amor espontâneo e relacionamento.

Ainda para Manning (2014), de acordo com o critério evangélico de santidade, a pessoa mais próxima do coração de Jesus não é a que ora mais, a que mais estuda a Escritura ou a que tem confiada a si a posição de maior responsabilidade espiritual. É quem mais ama, e essa não é opinião minha. É a Palavra que nos julgará.

 

 

·         A espiritualidade vertida pelo Poder do Evangelho considera a natureza humana como decaída, mas redimida

Gênesis 1:31, afirma: " Então Deus olhou para tudo que havia feito e viu que era muito bom. A noite passou e veio a manhã, encerrando o sexto dia". Diferentemente de tudo que criara, no final do dia, DEUS olhava e dizia: "e viu DEUS que era bom". Mas, diferentemente, após formar o homem, a postura declaratória de DEUS mudou, Ele afirmou: "Viu que era muito bom".

Fomos criados pela essência do Pai, sem pecado, pelo soprar de Seu fôlego a qual nos fez alma vivente e nos tornamos "caídos" pela desobediência de nossos pais, tornando-nos pessoas carentes de Sua misericórdia.

A espiritualidade transbordante pelo Poder radiante da cruz, recupera o elemento de deleite na criação. Imagine o êxtase, o brado de alegria quando DEUS fez uma pessoa em sua própria imagem! Quando Deus fez você! O Pai deu você como presente a si mesmo. Você é uma resposta ao vasto deleite de DEUS. Dentre um infinito número de possibilidades, DEUS investiu em você e em mim com a existência.  

 

·         A espiritualidade vertida pelo Poder do Evangelho é selada pelo sofrimento de Cristo na cruz

Brennan (2014) nos afirma que Não há cristianismo genuíno no qual o signo da cruz está ausente. Graça barata é graça sem a cruz, um assentimento intelectual à empoeirada casa de penhores de crenças doutrinárias ao mesmo tempo que se é levado sem direção pelos valores culturais da cidade secular. O discipulado sem sacrifício gera um cristianismo confortável praticamente indistinguível, em sua mediocridade, do resto do mundo. A cruz é tanto o teste quanto o destino de um seguidor de Jesus.

A pregação morna e a adoração sem vida têm espalhado tantas cinzas sobre o fogo do evangelho que mal sentimos seu ardor. Tornamo-nos tão habituados ao último fato cristão — Jesus nu, exposto, crucificado e ressurreto — que não mais o vemos pelo que é: um chamado a nos despirmos de preocupações terrenas e sabedoria mundana, de todo o desejo por louvor humano, da cobiça por qualquer espécie de conforto (incluindo consolações espirituais). E uma convocação à prontidão para nos levantarmos e sermos contados como pacificadores num mundo violento. É um chamado para abrirmos mão da fantasia de que não somos de fato mundanos (o ripo de mundanismo que prefere a tarefa mais atraente à menos, e leva-nos a investir mais em gente que queremos impressionar). Mesmo o último trapo ao qual nos apegamos — a autobajulação que sugere que estamos sendo humildes quando recusamos admitir qualquer semelhança com Jesus Cristo —, até mesmo esse trapo deve cair quando ficamos face a face com o Filho de Deus crucificado.

A espiritualidade transmitida pela cruz nada mais é do que o cativeiro a Cristo apenas, uma completa ligação a sua pessoa, um compartilhar do ritmo de sua morte e ressurreição, uma participação em sua vida de tristeza, rejeição, solidão e sofrimento.

 

·         A espiritualidade vertida pelo Poder do Evangelho transmite alegria e paz

Os cristãos são chamados para crer em um DEUS que ama e em Seu Cristo ressurreto. É preciso crer e crer veemente. Crer e crer alegremente. O teólogo Robert Hotchkins menciona que os cristãos devem comemorar constantemente, quando afirma:

Devemos estar preocupados com festas, banquetes, folias e festejo. Devemos entregar-nos a verdadeiras orgias de júbilo por causa de nossa crença na ressurreição. Devemos atrair as pessoas para nossa fé literalmente pelo quanto é divertido ser cristão. Infelizmente, no entanto, logo também nos tornamos sombrios, austeros e pomposos. Somos o oposto de nossa própria tradição, porque tememos perder tempo ou ficar amarrados. Nas palavras de Teresa de Ávila: "de tolas devoções e santos de cara amarrada, livrai-nos, Senhor!".

Essa é a fonte da alegria, do contentamento e do riso cristão: "Ele não está aqui, já ressuscitou" (Mateus 28:6-8). A vitória de Jesus Cristo no Calvário apresenta-nos apenas duas alternativas lógicas: ou você crê na ressurreição e, por conseguinte, crê em Jesus de Nazaré e no evangelho que ele pregou, ou crê na não-ressurreição e não crê em Jesus de Nazaré e no evangelho que ele pregou.

·         A espiritualidade vertida pelo Poder do Evangelho vê as pessoas como seres livres, libertas

João 8:32 nos afirma: "Então conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”. O poder que é vertido da cruz irradia sobre nossa vida e nos torna livres. Ainda Gálatas 5:1, nos fala: "Portanto, permaneçam firmes nessa liberdade, pois Cristo verdadeiramente nos libertou. Não se submetam novamente à escravidão da lei".

Muitas vezes, a igreja "institucional" ou, como gosto de afirmar: "a igreja CNPJ", é desleal quando a si quando desrespeita a liberdade dada por Cristo na cruz, Somos Livres, Libertos, Sarados, Curados...

DEUS nos criou a Sua imagem com a vontade para que trabalhássemos com responsabilidade e liberdade. Porém, quando a virtude da obediência se reduz a uma forma de dominação e submissão, produzimos covardes treinados em vez de pessoas cristãs.

Não quero contrapor ao registro de Hebreus 13:17, que afirma: "Obedeçam a seus líderes e façam o que disserem. O trabalho deles é cuidar de sua alma, e disso prestarão contas. Deem-lhes motivo para trabalhar com alegria, e não com tristeza, pois isso certamente não beneficiaria vocês". Isso não diz respeito a obediência cega, fora da realidade do contexto cristão.

Se de fato conhecêssemos o Deus de Jesus, pararíamos de tentar controlar e manipular os outros "para seu bem", sabendo perfeitamente que não é assim que Deus trabalha entre seu povo. Paulo escreve: "Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade" (II Coríntios 3:17).

 

Realmente o reino de DEUS consiste em Poder, apoderado pela Sua Palavra, que transforma a mente e coração, proporcionando uma mudança radical na forma de pensar e agir. Uma transformação não de aparência e sim, que urge de dentro para fora, separando alma e espírito, juntas e medulas, para uma caminhada em Vida Plena.

 

 REFERÊNCIAS

Bíblia Nova Versão Transformadora. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/nvt>. Acessado em: 11 dez. 2020.

HEAGLE, John. On the Way. Chicago: Thomas More Press, 1981. P. 34.

MANNING, Brennan. A assinatura de Jesus: o chamado a uma vida marcada por paixão santa e fé inabalável. Traduzido por Maria Emília de Oliveira. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2014.

PETERSON, Heugene H. Bíblia A MENSAGEM em Linguagem Contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2011.

 



[1] Pastor - discípulo de Cristo - e-mail: robinson.luis@bol.com.br - Redes sociais: @prrobinsonlaraujo - 27/11/20.

[2]  Foi um padre católico americano, membro dos Padres Sulpicianos e um proeminente estudioso bíblico