sexta-feira, 27 de novembro de 2020

O EVANGELHO TRANSFORMADOR!

 



Robinson L Araujo[1]

 

O Evangelho de Cristo por meio da cruz caracteriza-se pelo Poder transformador na vida daqueles que aceitam a se submeterem ao discipulado do Mestre, à sombra da Cruz. Transformando medo em ousadia; pavor em clamor.

Importante que nos reportemos a Igreja primitiva, sem placas ou dirigida por uma doutrina, a não ser do arrependimento, que era anunciado pelos apóstolos, como por exemplo, a passagem de Atos 3:36-39, que afirma:

36. “Portanto, saibam com certeza todos em Israel que a esse Jesus, que vocês crucificaram, Deus fez Senhor e Cristo!”. 37. As palavras partiram o coração dos que ouviam, e eles perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, o que devemos fazer?”. 38. Pedro respondeu: “Vocês devem se arrepender, para o perdão de seus pecados, e cada um deve ser batizado em nome de Jesus Cristo.  Então receberão a dádiva do Espírito Santo. 39. Essa promessa é para vocês, para seus filhos e para os que estão longe, isto é, para todos que forem chamados pelo Senhor, nosso Deus”. Atos 2:36-39

O Evangelho, contrário do que muitos anunciam, como por exemplo: revelações de CRF's das pessoas que buscam um milagre, que ora fora anunciado na conferência de determinado "evangelistas"; O "pastor" que irá curar e trazer bênçãos materiais sobre sua vida e por aí, a caminhada é longa e exaustiva se tentarmos escrever aqui.

Aqueles homens anunciavam:

ü  Jesus crucificado se tornou Senhor e Cristo;

ü  A Mensagem anunciada tinha o poder de adentrar ao coração dos ouvintes e queriam uma transformação;

ü  O arrependimento era a chave para ser salvo e os pecados serem redimidos;

ü  O batismo que anunciava para aqueles que assistiam, o compromisso de mudança do estilo de vida;

ü  Está aberta a todos e não a um grupo reduzido de pessoas.

O reconhecimento do discípulo de Jesus, não vem por imposição e sim, por reconhecimento daqueles que veem a transformação e a ousadia que caminham juntos na anunciação do Evangelho do Reino. Em Atos 4:10-13, após a cura de um aleijado à porta do templo por Pedro e João, sendo eles indagados pelos líderes, podemos perceber a ousadia da anunciação do Evangelho. Vejamos:

10. Saibam os senhores e todo o povo de Israel que ele foi curado pelo nome de Jesus Cristo, o nazareno, a quem os senhores crucificaram, mas a quem Deus ressuscitou dos mortos. 11. Pois é a respeito desse Jesus que se diz: ‘A pedra que vocês, os construtores, rejeitaram se tornou a pedra angular’. 12. Não há salvação em nenhum outro! Não há nenhum outro nome debaixo do céu, em toda a humanidade, por meio do qual devamos ser salvos”. 13. Quando os membros do conselho viram a coragem de Pedro e João, ficaram admirados, pois perceberam que eram homens comuns, sem instrução religiosa formal. Reconheceram também que eles haviam estado com Jesus.

Ainda eles afirmam, mesmo sendo ameaçados: "Não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos!”. (Atos 4:20).

E a transformação que o Evangelho traz ao homem, o condiciona a busca de uma comunhão com seus irmãos, bem como, a necessidade de ajudar e compartilhar com aqueles que não possuem condições financeiras, Vejamos:

32. Todos os que creram estavam unidos em coração e mente. Não se consideravam donos de seus bens, de modo que compartilhavam tudo que tinham. 33. Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e sobre todos eles havia grande graça. 34. Entre eles não havia necessitados, pois quem possuía terras ou casas vendia o que era seu 35. e levava o dinheiro aos apóstolos, para que dessem aos que precisavam de ajuda. Atos 4:32-25

Importante salientar que o pecado é o ponto de partida de todo distanciamento social. Todo pecado, inclusive de pensamento, deixa sua marca na estrutura psiquica da alma humana. Todo pecado do qual não nos arrependemos obscurece sinistramente a verdadeira honestidade.

Na Bíblia de Transformação Pessoal, MANNING (2015, P. 1276) acaba por trazer a seguinte reflexão de vida:

A Igreja primitiva foi construída por pequenos grupos de pessoas que se reuniam para apoiar umas às outras em um modo de vida inteiramente novo. Essas comunidades primitivas eram prova visível de uma alternativa para o status quo de sua cultura. Hoje, precisamos de pequenos grupos de pessoas que levem o Evangelho a sério, que percebem o que DEUS está fazendo em nosso tempo e que sejam prova viva do que significa estar no mundo sem ser do mundo. Essas comunidades "de base" ou igrejas de bairros devem ser pequenas o suficiente para que haja intimidade, coesas o suficiente para que haja aceitação e amáveis o suficiente para que haja espaço para críticas. A comunidade reunida em nome de Jesus nos capacita para encarnar em nossa vida aquilo que cremos em nosso coração e aquilo que proclamamos com nossos lábios.

Acredito que o ponto central da cruz, além de Jesus morto e ressurreto, é a unidade que ele trás em nossas vidas. O problema é que, nós, por nossa ganância, egoísmo e egocentrismo, deturpamos o viver da Igreja primitiva. Os apóstolos não anunciavam o dia de cura e restauração, somente pela sobra deles, em suas caminhas, quando projetada na vida dos enfermos, era capaz de curar. Não porque eram melhores que os outros e sim, a transformação e o compromisso que tinham com Cristo.

Não tinham o interesse pessoal e financeiro, simplesmente davam aquilo que receberam pela graça, com custo de Sangue! O Livro de Atos 5:12-16, nos afirma exatamente como era o comportamento daquelas pessoas. Vejamos:

12. Os apóstolos realizavam muitos sinais e maravilhas entre o povo. Todos se reuniam regularmente no templo, na parte conhecida como Pórtico de Salomão. 13. Quando se reuniam ali, ninguém mais tinha coragem de juntar-se a eles, embora o povo os tivesse em alta consideração. 14. Cada vez mais pessoas, multidões de homens e mulheres, criam no Senhor. 15. Como resultado, o povo levava os doentes às ruas em camas e macas para que a sombra de Pedro cobrisse alguns deles enquanto ele passava. 16. Muita gente vinha das cidades ao redor de Jerusalém, trazendo doentes e atormentados por espíritos impuros, e todos eram curados.

A pergunta aqui não seria: "Posso Curar?" e sim: "Deixaria que o poder restaurador de Cristo ressurreto flua por meio de minha vida para alcançar e a tocar outros, de modo que eles também possam sonhar, lutar, permanecer firmes e correr a onde os valentes não ousam ir?"

João Crisóstomo[2] (1962), pai da Igreja primitiva escreveu:

Quando o homem procura sinais e sabedoria e não recebe as coisas que busca, mas ouve o contrário daquilo que procura, e depois tem a mente mudada por esses contrários, isso não mostra o poder indescritível daquele cujo nome está sendo proclamado?

Mesmo em um estudo superficial da história da Igreja, ela revela que o Espírito de DEUS sopra com a força de um furacão apenas por meio daqueles profetas e amantes da verdade que se rendam a loucura da cruz. Se existe sabedoria superficial e pouco poder na nossa adoração e no nosso ministério, creio que, é porque poucos de nós nos entregamos ao que Paulo chama de morrer todos os dias para todas as formas de egocentrismo, incluindo a auto promoção e a autocondenação. Manning (2014).

Por outro lado, também, devemos entender que poucos querem ouvir a pregação de um Cristo crucificado, que nos convida a estamos crucificado junto com Ele.  A preferência é por um Cristo agente da mudança social; ou o revolucionário; ou o Mestre do relacionamento interpessoal que vai ajudá-los a fazer amigos e influenciar pessoas. Ninguém quer ouvir falar sobre um Cristo pregado no madeiro que diz: "Mudem de vida; Sigam em uma nova direção; Siga-me e se submeta a um discipulado radical, uma Metanoia!"

A imitação de Cristo que somos convidados a por em prática, é aquela não de um herói morto e sim, da que Cristo vive no cristão, e o cristão vive no Cristo ressurreto por meio de Seu Espírito Santo.

O estilo de vida que os apóstolos foram inseridos e que, somos convidados a viver é que, ao olharmos para aquela cruz, passamos a entender que na Sua paixão e morte, Jesus sentiu a minha e a sua dor, e tomou-as para Si. Isaías 53:5 já proclamara: "Mas Ele foi ferido por causa de nossa rebeldia e esmagado por causa de nossos pecados. Sofreu o castigo para que fôssemos restaurados e recebeu açoites para que fôssemos curados".

O que acontece nesse encontro com o Crucificado é que participamos de algo que já aconteceu, a nossa união com Jesus e tudo o que ela implica: o fato dEle assumir toda dor, ansiedade, medos, vergonha, autodepreciação e desencorajamento.

Não há meio de curar as feridas que carregamos, a não ser por meio do amor de Jesus que perdoa setenta vezes e não mantém registros dos nossos erros.

Contorcendo-se de dor na cruz, Jesus disse: "Conheço cada momento de pecado, egoísmo, desonestidade e amor degradado que desconfigurou sua vida, e não o julgo indigno de compaixão, perdão e salvação. Agora, faça o mesmo com os outros. Não julgue ninguém.

Henri Nouwen[3] (1995), afirmou:

Somente quando reivindicamos o amor de Cristo crucificado com convicção sincera, esse amor que transcende de todos os julgamentos, é que venceremos todo o medo do julgamento. Quando nos livramos completamente da necessidade de julgar os outros, somos completamente libertados do medo de ser julgados. A experiência de não ter que julgar não pode coexistir com o medo de ser julgado, e a experiência do amor não julgador da Salvador crucificado não pode coexistir com a necessidade de julgar os outros.

Somente pelo Evangelho vertido daquela cruz, tem-se a possibilidade de uma mudança radical de vida, deixando as coisas velhas para trás e, tendo a possibilidade de se escrever uma nova página em nossa caminhada.

A Igreja primitiva é um exemplo para que, voltemos a nossa origem, deixando para trás o julgamento o qual, a DEUS e somente a Ele pertence.

Somente assim, teremos a possibilidade de caminharmos em Vida Plena.


 

 


REFERÊNCIAS

Bíblia Nova Versão Transformadora. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/nvt>. Acessado em: 24 nov. 2020.

MANNING, Brennan. A assinatura de Jesus: o chamado a uma vida marcada por paixão santa e fé inabalável. Traduzido por Maria Emília de Oliveira. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2014.

 



[1] Pastor, Discípulo de Cristo - e-mail: robinson.luis@bol.com.br - redes sociais: @prrobinsonlaraujo - 26/11/20.

[2] The Sermons of Jonh Chrysostom. In.: MONTAGUE, George. The Living Thought of St. Paul. Englewood, NJ: Prentice Hall, 1962. P. 78. - João Crisóstomo foi um arcebispo de Constantinopla e um dos mais importantes patronos do cristianismo primitivo.

[3] Henri Jozef Machiel Nouwen foi um católico holandês, teólogo, padre e escritor, autor de 40 livros sobre vida espiritual.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

O PODER MARAVILHOSO DA CRUZ!

 


Robinson L Araujo[1]

 

Sem sombras de dúvidas, a cruz do calvário é capaz de nos trazer a libertação, como a maldição. Libertação pela transformação que o sangue ora vertido, tem poder para limpar nossos pecados. Maldição, pelo fato de uma vida eterna afastada da presença de DEUS, caso não aceite o Poder que emana dela.

É por meio da cruz que temos a possibilidade de nos tornarmos discípulos do Mestre Jesus. Somos discípulos somente quando permanecemos sob a sombra da cruz.

Vejamos a afirmação do Mestre: "Quem se recusa a tomar sua cruz e me seguir não é digno de mim". (Mateus 10:38). Dietrich Bonhoeffer, mártir alemão, compreendeu o significado dessa afirmação de Jesus e escreveu: "Quando Jesus chama alguém, pede-lhe que venha e morra". Sendo assim, não temos nenhum direito ou possibilidade de escolher um caminho diferente do que DEUS escolheu em Jesus. A cruz é o símbolo da nossa salvação e o padrão para nossa vida.

Não foi por mero discurso que o Apóstolo Paulo afirmou em Gálatas 2:20: "Fui crucificado com Cristo; assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. Portanto, vivo neste corpo terreno pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim".

Como discípulo de Cristo, as paixões do mundo deixam de ser primazia e os desejos que passam a dominar meu coração, é o fazer a vontade de DEUS, para que nenhum de Seus pequeninos se perca.

Para que nossas ações sejam de um verdadeiro discípulo, Manning (2014) exorta-nos afirmando que, quando as nossas crenças dogmáticas e os nossos princípios morais não se transformam em discipulado, a santidade é uma ilusão. E o mundo não tem tempo para ilusão.

Bem interessante as palavras de MANNING (2014. P. 34), quando afirma:

A piedade cristã popularizou o DEUS apaixonado do Gólgota. A arte cristã transformou a atrocidade indescritível do Calvário em joia majestosa. A adoração cristã sentimentalizou o escândalo monstruoso em encenação sagrada. A religião organizada domesticou o Senhor da glória crucificado, transformando-o em um símbolo subjugado. Considerada relíquia da Igreja, a cruz não perturba a nossa religiosidade confortável. No entanto, quando o Cristo crucificado e ressurreto, invés de permanecer ícone, adquire vida e liberta-nos para o fogo que veio atear, ele produz mais devastação que todo o conjunto de hereges, humanistas seculares e pregadores em causa própria.

Sendo assim, Jesus ordena nada menos do que colocar o nosso ego e os nossos desejos na cruz. Gálatas 5:24, o Apóstolo Paulo afirma: "Aqueles que pertencem a Cristo Jesus crucificaram as paixões e os desejos de sua natureza humana".

Hoje, muitas igrejas tentam eliminar o risco e o perigo desse chamado. Para amortecer o risco e eliminar o perigo do discipulado, elaboram uma lista de regras morais que nos dão segurança em vez de insegurança santa. A Palavra da cruz - o Poder e a Sabedoria de Jesus crucificado - manifesta-se por sua ausência. Esse é o foco da cruz, mudar pessoas, afastando-nos dos valores deste mundo.

Cabe salientar que Jesus não morreu nas mãos de desordeiros, estupradores ou assaltantes. Ele caiu nas mãos bem lavadas de sacerdotes e advogados, estadistas e professores, os membros mais respeitados da sociedade. João 19:17-18, nos confirma: "Carregando a própria cruz, Jesus foi ao local chamado Lugar da Caveira (em aramaico, Gólgota). Ali eles o pregaram na cruz. Outros dois foram crucificados com Jesus, um de cada lado e ele no meio".

Por outro lado, quando o Jesus crucificado não é proclamado nem vivido em amor, a Igreja torna-se uma sociedade entediada e entediante. Não há poder, não há desafio, não há fogo. Não há mudança. Tornamos monótono o que deveria ser extraordinário. O cristão deve ser e transparecer sua paixão por Cristo e Sua cruz.

Não foi a toa que Jesus proclama para que sejamos sal e luz. Vejamos Mateus 5:13-16:

13. “Vocês são o sal da terra. Mas, se o sal perder o sabor, para que servirá? É possível torná-lo salgado outra vez? Será jogado fora e pisado pelos que passam, pois já não serve para nada. 14. “Vocês são a luz do mundo. É impossível esconder uma cidade construída no alto de um monte. 15. Não faz sentido acender uma lâmpada e depois colocá-la sob um cesto. Pelo contrário, ela é colocada num pedestal, de onde ilumina todos que estão na casa. 16. Da mesma forma, suas boas obras devem brilhar, para que todos as vejam e louvem seu Pai, que está no céu".

É sob a cruz que o homem atinge sua hombridade, não se pode compartilhar a glória do Senhor ressurreto a não ser no discipulado da cruz, afirma Jesus Means Freedom[2]. Sendo assim, essa é a questão que cada um de nós precisa fazer a si mesmo. Quem é Jesus? O que o discipulado envolve hoje? Pois o resto, não passa de delírio.

Salutar é o que o Apóstolo Paulo escreve em I Coríntios 1:18-24:

18. A mensagem da cruz é loucura para os que se encaminham para a destruição, mas para nós que estamos sendo salvos ela é o poder de Deus. 19. Como dizem as Escrituras: “Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes”. 20. Diante disso, onde ficam os sábios, os eruditos e os argumentadores desta era? Deus fez a sabedoria deste mundo parecer loucura. 21. Visto que Deus, em sua sabedoria, providenciou que o mundo não o conhecesse por meio de sabedoria humana, usou a loucura de nossa pregação para salvar os que creem. 22. Pois os judeus pedem sinais, e os gentios buscam sabedoria. 23. Assim, quando pregamos que o Cristo foi crucificado, os judeus se ofendem, e os gentios dizem que é tolice. 24. Mas, para os que foram chamados para a salvação, tanto judeus como gentios, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus.

Quando Jesus adentra em nossa vida com Sua escandalosa cruz na forma de angustia mental, sofrimentos físicos e feridas do espírito que não cicatrizam, oramos por coragem para permanecer firmes contra o realismo insidioso do mundo, contra a carne e contra o Diabo.

Um belo plano empreendedor. Se, de fato, a nossa vida fosse uma imitação da vida de Cristo, o nosso testemunho seria irresistível. Se ousássemos viver sem nos preocupar com os interesses próprios; se nos recusássemos a ser vulneráveis; se adotássemos de uma atitude de compaixão perante o mundo; se fossemos uma contracultura ao desejo louco do nosso país pelo orgulho da posição que ocupamos, do poder e dos bens materiais; se preferíssemos ser fiéis a ser bem-sucedidos, as paredes da indiferença a Jesus Cristo desmoronariam. Muitas pessoas seriam desprezadas pela sociedade; mas centenas, milhares, milhões de servos como aqueles conquistariam o mundo. Cristãos cheios da autenticidade, do compromisso e da generosidade de Jesus seriam o sinal mais espetacular na história da raça humana. O chamado de Jesus é revolucionário. Se nós o puséssemos em prática, mudaríamos o mundo em questões de meses, afirma Branning (2014).

Sendo assim, o homem só é considerado amante da cruz se isso o capacitar a ajustar as contas com os poderes e as seduções do mundo, afirmou Ernst Käsemann[3].

Ao longo de toda Sua paixão, Jesus não condenou ninguém. Ao longo de Sua vida, Suas palavras não foram proferidas para culpar e envergonhar, acusar e condenar, subornar e rotular. O crucificado olha diretamente para mim. Seus olhos estão cheios de sangue, lágrimas e dor, e Ele mal consegue me ver. De repente, partindo de Seu coração ferido, Ele sussurra o meu nome. Não se trata de um nome determinado. Simplesmente diz "Pedra Branca, conforme Apocalipse 2:17: "“Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vitorioso, darei do maná escondido. Também lhe darei uma pedra branca, e nela estará gravado um nome novo, que ninguém conhece, a não ser aquele que o recebe.”.

Diante de tal fato, Paulo nos escreve: "Sem dúvida, vocês são uma carta de Cristo, que mostra os resultados de nosso trabalho em seu meio, escrita não com pena e tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, e gravada não em tábuas de pedra, mas em corações humanos". (II Coríntios 3:3).

O poder da cruz foi transmitido ao homem pelo próprio Jesus, dando-lhe vida eterna, conhecimento de DEUS e o conhecimento do próprio Jesus, vejamos João 17:13,:

1. Depois de dizer todas essas coisas, Jesus olhou para o céu e orou: “Pai, chegou a hora. Glorifica teu Filho, para que ele te glorifique, 2. pois tu lhe deste autoridade sobre toda a humanidade. Ele concede vida eterna a cada um daqueles que lhe deste. 3. E a vida eterna é isto: conhecer a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste ao mundo.

O está consumado, ainda sussurra em nosso meio, quando observado e escrito pelo Apóstolo João 19:30: (...“Está consumado”. Então, inclinou a cabeça e entregou o espírito.).

A Mensagem da cruz deve trazer para cada um que se diz cristão a possibilidade da crucificação com o próprio Senhor. I João 5:18-20, nos apresenta três características dessa mensagem, sendo:

18. Sabemos que os nascidos de Deus não vivem no pecado, pois o Filho de Deus os protege e o maligno não os toca.

19. Sabemos que somos filhos de Deus e que o mundo inteiro está sob o controle do maligno.

20. E sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para que conheçamos ao Deus verdadeiro. Agora, vivemos em comunhão com o Deus verdadeiro, porque vivemos em comunhão com seu Filho, Jesus Cristo. Ele é o Deus verdadeiro e é a vida eterna.

 
O poder da Cruz é o poder de transformação, que nos dá a possibilidade de caminhamos em Vida Plena sob sua sombra.

 

 

 

REFERÊNCIAS

Bíblia Nova Versão Transformadora. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/nvt>. Acessado em: 24 nov. 2020.

MANNING, Brennan. A assinatura de Jesus: o chamado a uma vida marcada por paixão santa e fé inabalável. Traduzido por Maria Emília de Oliveira. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2014.



[1] Pastor, Discípulo de Cristo - e-mail: robinson.luis@bol.com.br - redes sociais: @prrobinsonlaraujo - 24/11/20

[2] É um livro que afirma com rigor a liberdade da pessoa cristã e, com o mesmo rigor, refuta aqueles que restringem ou negam essa liberdade em nome da ortodoxia cristã. O autor - Ernst Käsemann - cujas percepções foram moldadas pelas agonias de servir como pastor durante os anos de Hitler na Alemanha,

[3] Ernst Käsemann foi um teólogo luterano alemão e professor do Novo Testamento em Mainz, Göttingen e Tübingen

domingo, 22 de novembro de 2020

DEUS ESTÁ NO COMANDO E O FUTURO A ELE PERTENCE!

 


Robinson L Araujo[1]

 

Interessante é se aventurar em entregar o comando do futuro a DEUS. Muitas vezes, queremos entregar, mas, na intenção de permanecer dando as cartadas ao Senhor. Entretanto, não é dessa forma que Ele age em nossa vida, família e futuro. A Ele, tudo pertence e foi o que Abrão compreendeu.

Sendo assim, convido você a se locomover como Abrão e depois, Abraão. Um caminho para o desconhecido - humanamente, porém, traçado - espiritualmente. Vejamos Gênesis 12: 1-7, quando Jeová define o incerto em sua vida:

1. O Senhor tinha dito a Abrão: “Deixe sua terra natal, seus parentes e a família de seu pai e vá à terra que eu lhe mostrarei. 2. Farei de você uma grande nação, o abençoarei e o tornarei famoso, e você será uma bênção para outros. 3. Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem. Por meio de você, todas as famílias da terra serão abençoadas”. 4. Então Abrão partiu, como o Senhor havia instruído, e Ló foi com ele. Abrão tinha 75 anos quando saiu de Harã. 5. Tomou sua mulher, Sarai, seu sobrinho Ló e todos os seus bens, os rebanhos e os servos que havia agregado à sua casa em Harã, e seguiu para a terra de Canaã. Quando chegaram a Canaã, 6. Abrão atravessou a terra até Siquém, onde acampou junto ao carvalho de Moré. Naquele tempo, os cananeus habitavam a região. 7. Então o Senhor apareceu a Abrão e disse: “Darei esta terra a seus descendentes”. Abrão construiu um altar ali e o dedicou ao Senhor, que lhe havia aparecido.

O que se observa aqui é que, a experiência espiritual se tornou uma intimação: DEUS está no comando e o futuro a Ele pertence.

O que podemos perceber? Em primeiro lugar: DEUS tem o seu tempo certo; em segundo: O Senhor escolhera Abrão para que fosse pai de uma grande nação; terceiro; Somente DEUS transformaria a vida dele em bênção para todos os filhos infelizes e desorientados deste mundo.

Abrão estava enraizado em sua terra, possuía seus bens, família e sua religião com crendices que foram lhe introduzidas por seus pais e local onde vivia, a tradição. Observe que DEUS o convida à abandonar tudo. Talvez, para eu e você, seria uma afronta e desestabilização de nosso cotidiano e vida que estamos acostumados a levar em nosso mundinho. Mas, o Senhor tem um propósito para cada um de nós, o problema é como e com qual confiança nos interessamos ao ponto de abandonar tudo e partir para o desconhecido em obediência ao chamado de DEUS.

Hebreus 11:8, afirma: "Pela fé, Abraão obedeceu quando foi chamado para ir à outra terra que ele receberia como herança. Ele partiu sem saber para onde ia". MANNING (2014, p. 16), afirma: "A realidade da vida para homens e mulheres cristãos exigem que saiam de onde estão enraizados, daquilo que é óbvio e seguro, e entrem no deserto sem explicações racionais que justifiquem suas decisões ou deem garantias para o futuro. Por quê? Porque DEUS sinaliza esse movimento e oferece Sua promessa. Só isso".

Quando percebemos o chamado de DEUS em nossa vida, como Abrão percebeu, é o caminho para que o Evangelho convença as pessoas a quem gostaríamos que entendessem do amor de DEUS. Caso contrário, o Evangelho não convencerá ninguém, a não ser que convença a nós mesmos de que somos transformados por ele.

Para isso, MANNING (2014, p. 17) explica:

Depois de dois mil anos de história da Igreja, por que só um terço da população mundial aceitou a Cristo? Por que a personalidade de muitos cristãos piedosos é tão opaca? Por que o filósofo Friedrich Nietzsche repreende os cristãos por "aparecerem não estar salvos?" por que raramente ouvimos aquilo que o antigo advogado disse a respeito de Jonh Vianney: "hoje me aconteceu algo extraordinário. Vi Cristo em um homem?" Por que a nossa alegria, o nosso entusiasmo e a nossa gratidão não contagiam os outros com o anseio de Cristo? Por que o fogo e o espírito de Pedro e Paulo estão tão claramente ausentes na nossa pálida existência? Talvez porque poucos de nós tenhamos empreendido a jornada da fé para atravessar o abismo entre o conhecimento e a experiência. Preferimos ver o mapa a visitar o lugar. O fantasma da realidade da nossa falta de fé convence-nos de que a experiência não é real; real é a explicação que damos a experiência.

Importante frisar que as nossas crenças, acabam por distanciar-nos do domínio da nossa experiência pessoal. Se Abrão, não abandonasse seus conceitos preconcebidos de religião, conhecimento que tinha de DEUS, transmitidos pela comunidade em que vivia e suas tradições, não viveria a maravilhosa oportunidade de ser chamado de Abraão.

Oportuna as palavras de Daniel Taylor[2]

A mentalidade secular faz o jogo da dúvida quase exclusivamente e, em geral, zomba de quem não a segue. Ironicamente, no entanto, a Igreja também faz esse jogo em alguma medida. O mistério do Evangelho, o paradoxo da encarnação e o maravilhoso enigma da graça permanecem congelados em um sistema altamente racionalizado e/ou autoritário de teologias, códigos, regras, prescrições, ordem de serviço e formas de governar a Igreja. Tudo é anotado, tudo é organizado, a fim de que tudo possa estar definido e os transgressores possam ser detectados.

A caminhada de Harã para Canaã é a jornada em meio ao abismo. Sendo assim, é preciso passar definitivamente das crenças para a fé. Sim, somos chamados a crer em Jesus. Mas, a nossa crença, nos convida a algo maior: a exercer fé nEle. A fé é o que nos forçará a buscar a mente de Jesus Cristo, a adotar uma vida de oração, abnegação, bondade e envolvimento para edificar o Reino de DEUS, não o nosso.

Muitos cristãos continuam temerosos em abandonar as tradições para o exercício da fé, por ainda se apegarem a uma ideia de DEUS muito diferente daquele pregado por Seu Filho. Preferem continuar em Harã, mantendo intactos seus velhos sistemas de crenças. Acreditam que podem salvar a si mesmos se permanecerem imóveis e sem respirar, ou se embarcarem em aventuras heróicas de jejuns ou vigílias, na esperança de conseguirem a aprovação de DEUS na força. Isso não quer dizer que os jejuns e as vigílias não fazem parte, simplesmente não são as coisas mais importantes a serem feitas.

Faz-se necessário se agarrar ao convite de Cristo:

  • Ao ouvir isso, Jesus disse a Jairo: “Não tenha medo. Apenas creia, e ela será curada”. (Lucas 8:50);
  • “Não tenham medo, pequeno rebanho, pois seu Pai tem grande alegria em lhes dar o reino. (Lucas 12:32);
  • Imediatamente, porém, Jesus lhes disse: “Não tenham medo! Coragem, sou eu!”. (Mateus 14:27).

DEUS está convidando a cada um de nós para que saiamos de nosso lugar de conforto, abandonando o conforto e a segurança do status quo, e embarcar na arriscada liberdade da viagem rumo à nova terra que Ele tem separado para cada um de nós, a nova Canaã. Deixando todo o medo que possa adentrar ao coração no caminho para o que nós não temos por certeza.

O que precisamos entender é que, o convite para a jornada de Harã para Canaã é de cunho pessoal e intransferível! Se você ou eu não quisermos, não têm problema para Ele, as consequências serão nossas. Sendo o convite pessoal, Ele chamará outros a se aventurarem pela caminhada da fé!

A pergunta que devemos responder é se creio em Jesus ou nos pregadores, mestres e nuvens de testemunhas que falam dEle? Será que o Cristo no qual eu creio é realmente meu, ou é aquele dos teólogos, pastores, progenitores? Ninguém - pais, amigos ou igreja - pode nos absolver dessa decisão pessoal e fundamental a respeito da natureza e da identidade do filho de Maria e José. A pergunta de Jesus a Pedro - Quem vocês dizem que Eu sou? Ainda eco até hoje em nossa mente, sendo dirigida a todos aqueles que anseiam em ser discípulos do Mestre.

O que é certo é que DEUS não elege necessariamente aqueles que possuem uma linhagem impecável para realizar Sua obra neste mundo. Ele busca pessoas dispostas a abandonar o conforto que a estabilidade proporciona e se aventurar no desconhecido, diante de Seu convite e desafio.

A verdade é que muitos deixam de receber as bênçãos de ministrar aos outros porque acreditam que DEUS usa somente os perfeitos ou quase perfeitos. É possível se ver em nosso cotidiano e na Sua Palavra que o oposto é verdadeiro. DEUS, quase sempre, usa pessoas com grandes imperfeições ou que passaram por grandes sofrimentos, para realizar muitas tarefas importantes em Seu Reino. Ninguém é imperfeito demais para ser usado por DEUS. I Coríntios 1:27-28 nos afirma:

27. Pelo contrário, Deus escolheu as coisas que o mundo considera loucura para envergonhar os sábios, assim como escolheu as coisas fracas para envergonhar os poderosos. 28. Deus escolheu coisas desprezadas pelo mundo, tidas como insignificantes, e as usou para reduzir a nada aquilo que o mundo considera importante.

Quantos personagens bíblicos, quantos profetas foram usados por DEUS e não tinham um padrão impecável de vida? Davi preferiu mata para esconder seu adultério ao invés de reconhecer seu erro; Jonas acha melhor fugir do que obedecer ao ide do Senhor; O próprio Jesus Cristo, tendo seu nascimento antes de completar a rotina do casamento de José e Maria na época, ao ponto de José querer fugir para preservar Maria; Chamado de mentiroso, endemoninhado, pecador...

É isso mesmo, é esse homem que nos chama para dedicarmos nossa vida a Ele, que a vida não tem nenhum significado sem Ele. É nesse homem que a origem de nossa fé deve ser encontrada. Um homem de nascimento obscuro e, portanto, vulnerável a desconfiança, morreu como criminoso. É esse DEUS que se fez homem, prova a cada um de nós que a substância da nossa fé deveria consistir na convicção de que pessoas ilegítimas, pecadoras e criminosas podem dizer: "ABA" a DEUS: que prostitutas podem entrar no Reino de DEUS antes dos religiosamente respeitáveis - que não se trata de uma visão de fé acessível à especulação e ao bom senso.

A nossa fé inclui as nossas crenças, mas também as transcende, porque a realidade de Jesus Cristo não pode ser confinada a formulações doutrinárias. O dom da minha fé em Jesus Cristo não está na dependência ou sob o domínio de nenhum poder fora da minha experiência da graça de DEUS. Quando as crenças substituem a experiência verdadeira; quando passamos a confiar na autoridade dos livros, instituições ou lideres sem que o conheçamos; quando permitimos que a religião se interponha entre nós e a experiência primária de Jesus como o Cristo, perdemos a realidade que a própria religião descreve como suprema.

Precisamos conhecer o amor e o poder de DEUS com um entendimento maior que o nosso, porque o amor e o poder de DEUS ultrapassam o simples conhecimento humano.

A cruz é a assinatura permanente do Cristo ressurreto. O modo de vida assinado pela cruz exige uma fé desprovida de sentimentos, êxtase e visão. II Coríntios 5:7 nos afirma: "Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos".

Não precisamos teorizar acerca de Jesus; precisamos fazê-Lo presente no nosso tempo, na nossa cultura e nas nossas circunstâncias. Como afirmou o filósofo francês Maurice Blondel: "Se você quiser entender aquilo em que o homem crê, não preste atenção no que ele diz, mas observe o que ele faz".

É necessário que abandonemos nosso discurso farisaico, onde as pessoas só escutam a respeito de Cristo e, ao se intencionarem em conhecer a Cristo, abandonam as expectativas, pois nosso discurso difere de nossa maneira de viver Cristo. Misericórdia!

O que Jesus anseia ver em seus discípulos? O mesmo que Ele viu nas criancinhas: um espírito de receptividade pura e simples, dependência completa e confiança radical no poder, na misericórdia e na graça de DEUS mediante o Espírito de Cristo. Ele declarou: "“Sim, eu sou a videira; vocês são os ramos. Quem permanece em mim, e Eu nele, produz muito fruto. Pois, sem mim, vocês não podem fazer coisa alguma". (João 15:5).

Obedecer ao desafio! Acreditar no que os olhos não podem ver, aceitar ao chamado de que Ele fará maravilhas, é uma realidade para aqueles que desejam ser chamados de discípulos do Senhor.

O convite está aberto para nós. A garantia de viver em Vida Plena aqui na terra dependerá do sim que sairá de minha boca.

E você, aceitaria o convite do Senhor?

 

  

REFERÊNCIAS

Bíblia Nova Versão Transformadora. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/nvt>. Acessado em: 22 nov. 2020.

MANNING, Brennan. A assinatura de Jesus: o chamado a uma vida marcada por paixão santa e fé inabalável. Traduzido por Maria Emília de Oliveira. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2014.



[1] Pastor - e-mail: robinson.luis@bol.com.br - @prrobinsonlaraujo

[2] TAYLOR, Daniel. The Myth of Certainty. Waco, TX: Jarrel, 1986. P. 134.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

NO SILÊNCIO QUE SE ENCONTRA O VERDADEIRO "EU"

 


Robinson L Araujo[1]

 

Quantos holofotes! Quantas publicações, visualizações, curtidas, comentários e compartilhamentos! Quanta vontade de encontrar o nosso "eu", quem realmente somos. É o dilema que temos trabalhado nestes dias, por meio de uma leitura saudável e na busca de respostas, contrariando o pensar pós-moderno.

Com a vida espiritual não é nada diferente. Tanto é que MANNING (2007, p. 54) afirma que: "A espiritualidade não é um compartimento ou uma esfera da vida. Antes, é um modo de viver - o processo da vida a partir da perspectiva da fé. A santidade está em descobrir, perseguir e viver o "eu" verdadeiro.

Viver o "eu" verdadeiro! Falar é muito fácil, mas como descobrir que "eu" é verdadeiro e qual é falso? Existiria um "eu" falso?

John Eagan, que foi um professor discreto de um colégio em Milwaukee, deixou publicado em seu diário[2]:

Somos os maiores obstáculos para alcançarmos a nobreza da alma - que é exatamente o significado da santidade. Consideramo-nos servos indignos, e esse juízo torna-se uma profecia que a própria vida se encarrega de cumprir. Julgamo-nos insignificantes demais para sermos usados por DEUS, mesmo sendo Ele capaz de realizar milagres usando apenas lama e saliva. Assim, nossa falsa humildade agrilhoa um DEUS que, ao contrário, é onipotente.

É nesses termos que afirmamos que "as palavras tem valor, poder e vida". Muitos se sentem menosprezados por achar que não possuem jeito ou que DEUS não às ama da forma que são. Ou, por vezes, acabam por se espelhar em outros que são chamados e pensam ser "verdadeiros" líderes. Que DEUS trabalha pela vida deles, esquecendo-se que DEUS usa a quem Ele quer. Se julgando incapazes, ajudando outros a criarem dentro de si o mais cruel do impostor.

DEUS está pedindo a mim, o indigno, para esquecer minha indignidade e a de meus irmãos e ousar seguir adiante no amor que redimiu e renovou todos nós à semelhança de DEUS. E para, em última análise, rir dessas ideias absurdas de 'merecimento'. Faça do Senhor e de imenso amor dEle para você elementos constitutivos de seu valor pessoal. Defina-se radicalmente como alguém amado por DEUS. O fato de DEUS amá-lo e escolhê-lo determina o seu valor. Aceite isso e permita que se torne a coisa mais importante da sua vida.

Somos sim, merecedores de algo que nos completa por inteiro, a Graça de DEUS, como o livro de Efésios 2:8-9 afirma: "Vocês são salvos pela graça, por meio da fé. Isso não vem de vocês; é uma dádiva de Deus. Não é uma recompensa pela prática de boas obras, para que ninguém venha a se orgulhar".

Somos amados de DEUS! Isaías confirma: "Mas agora, ó Jacó, ouça o Senhor que o criou; ó Israel, assim diz aquele que o formou: “Não tema, pois eu o resgatei; eu o chamei pelo nome, você é Meu. Quando passar por águas profundas, estarei a seu lado. Quando atravessar rios, não se afogará. Quando passar pelo fogo, não se queimará; as chamas não lhe farão mal. Pois eu sou o Senhor, seu DEUS, o Santo de Israel, seu Salvador". (Isaías 43:1-3a).

A quem Ele chamou de Jacó e Israel, você substitua pelo seu nome e olhe seu retrato em um espelho e diga a você mesmo: "Você pertence a DEUS e isso não lhe rebaixa a nada". Você é exaltado por Ele!

Diferentemente como muitos se julgam a base do valor de uma pessoa não é constituída pelas posses, talentos, da admiração dos outros, de reputação (...) nem das manifestações de reconhecimento por parte dos pais e filhos, do aplauso ou da importância que todos lhe atribuem (...). Assim, permaneça firme em DEUS, diante de quem te encontrou despido - esse DEUS que diz: "Você é meu filho, meu amado".

Manning (2007), ainda afirma que: "Enquanto a identidade do impostor procede das conquistas do passado e da adulação dos outros, o "eu" verdadeiro se identifica pelo amor do qual é alvo. Encontramo-nos com DEUS no que a vida tem mais de comum - não na busca de êxtases espirituais ou experiências místicas extraordinárias, mas no simples fato de estar vivos (grifo nosso).

I João 4:16 "Sabemos quanto DEUS nos ama e confiamos em seu amor. DEUS é amor, e quem permanece no amor permanece em DEUS, e DEUS nele". Se estamos em DEUS e permanecemos em Seu amor, Ele também está. Se Ele está, temos dentro de nós o melhor de DEUS, não somos qualquer um, pois o Melhor habita em nós, o Espírito Santo, a Essência do próprio DEUS.

Por ironia, a própria igreja pode afagar o "eu" impostor, conferindo ou negando-lhe honrarias, oferecendo o orgulho de uma posição baseada em desempenho e criando uma ilusão de status por classe e hierarquia. E, com as "melhores" das intenções, acaba-se caindo nas artimanhas do impostor que vive dentro de cada um, despertando-o para a pior das intenções: "o espiritual", julgando as outras inferiores.

Então, quem sou? Sou aquele amado por Jesus Cristo!

Lembre-se da força da declaração assentada em João 3:16, quando afirma: "“Porque DEUS amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo o que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna". "DEUS amou o mundo" foi tão abafada pela retórica religiosa que não ouvimos mais a palavra que revela a ternura de DEUS para conosco? Sim!

Pessoas são convidadas não para o arrependimento, com a intenção de crucificar sua "velha natureza" ou o "velho homem", o impostor que habita dentro de si e o puxando para baixo na tentativa de destruí-lo e sim, pelas beneficências que o suposto evangelho da prosperidade possa ofertar a ela.

Diante de tal fato, existe a necessidade de nos afastarmos para o silêncio. É no silêncio que descobrimos quem somos e nos aproximamos mais de DEUS. É longe das turbulências que o cotidiano nos apresenta que encontra-se a paz necessária para se ouvir a voz de DEUS e se ter um relacionamento sincero para com Ele.

Manning (2007) ainda nos diz que o silêncio não é simplesmente a ausência de barulho nem a interrupção da comunicação com o mundo exterior, mas um processo para se alcançar a tranquilidade. É impossível conhecer outra pessoa intimamente sem dedicar tempo para ficar junto dela. Você não se vê como realmente é por causa de toda aquela confusão e agitação. Deixa de reconhecer a presença Divina em sua vida, e a consciência de ser o amado desaparece aos poucos.

Gastar tempo com DEUS de forma consciente capacita-me a falar e agir com uma força maior, perdoar em vez de alimentar a última ofensa ao meu ego ferido, agir com generosidade nos momentos mais banais. Enche-me de poder para que eu seja capaz de abandonar o "eu", pelo menos temporariamente, num contexto maior que o meu mundinho de medos e inseguranças, apenas me aquietar e saber que DEUS é DEUS, afirma Manning (2007).

Tentamos esconder nossa insignificância e a "lama" da culpa. Chegamos a nos esgoelar para impressionar DEUS como se fossemos verdadeiros puritanos e assim, brigamos para chamar Sua atenção, debatemos na tentativa de consertar nossos defeitos e vivemos o evangelho de modo tão sem graça que mal conseguimos atrair os cristãos nominais e o pior de tudo, os incrédulos à Verdade.

A melhor identidade que se pode adquirir é ser "amado de DEUS", vivendo o nosso "eu" verdadeiro, crucificando o impostor que existe dentro de mim. Aprendendo a caminhar e viver em Vida Plena. Qualquer outra identidade é ilusão.

 

 

 

REFERÊNCIAS

Bíblia Nova Versão Transformadora. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/nvt>. Acessado em: 25 set. 2020.

MANNING, Brennam. O impostor que vive em mim. Tradução de Marson Guedes. 2ªed. São Paulo: Mundo Cristão, 2007.

MERTON, Thomas. The Hidden Ground of Love: Letters. New York: Farrar, Strauss, Giroux, 1985.

                                                                                                           



[1] Pastor - site: www.vivendoemvidaplena.teo.br - Redes Sociais: @prrobinsonlaraujo

[2] A Traveler Toward the Dawn, p. XII.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

QUEM SOU EU?

 


Robinson L Araujo[1]


Você já se pegou perguntando que você é? De fato, em algum momento de nossa caminhada aqui, paramos para fazer esse tipo de reflexão, ou se não, é importante que você saiba quem realmente é.

Em um determinado tempo, após viver uma tortura psicológica em detrimento do serviço, desencadeando um início de depressão, houve a necessidade de saber quem realmente eu era. Assumir a minha razão. Deixar de viver o que as pessoas gostariam ou impunham para que fosse - embora não me rendia por completo - entretanto buscava agradar da melhor forma.

Realmente é um processo doloroso, por vezes solitário, porém, somente com uma aproximação íntima com DEUS, somos capazes de vencer e assumir "quem eu sou", desprendendo de preocupações em querer agradar pessoas.

Existe um texto bíblico ao qual busco ancoragem que se encontra em Romanos 12:2[2], que afirma:

Não se ajustem demais à sua cultura, a ponto de não poderem pensar mais. Em vez disso, concentrem a atenção em DEUS. Vocês serão mudados de dentro para fora. Descubram o que Ele quer de vocês e tratem de atendê-Lo. Diferentemente da cultura dominante, que sempre arrasta para baixo, ao nível da imaturidade, DEUS extrai o melhor de vocês e desenvolve em vocês uma verdadeira maturidade.

O que realmente a cultura quer - nesse caso não a cultura do intelecto ou da arte, mas a cultura que tenta nos dominar - é fazer com que assumamos um "eu" que venha de encontro as necessidade da "galera", do geral, do agradar para que você seja feliz e consiga oportunidade. A pessoa que age assim seria como Manning (2007) descreve: não tem ideias ou opiniões próprias; apenas se ajusta (como um camaleão). Quer apenas estar seguro, se adaptar, ser aceito, ser valorizado (...) Ele é famoso por ser um zé-ninguém, o "famoso quem".

Lembro-me de uma pessoa que, após questioná-lo de suas ações, acabou por afirmar: "eu quero é estar de bem com todo mundo". A esse tipo de atitude, quando o "eu" se importa em agradar ao redor, esquecendo-se de quem realmente a pessoa é, MANNING (2007, p. 37), afirma:

Impostores se preocupam com aceitação e aprovação. Por causa da necessidade sufocante de agradar os outros, não conseguem dizer "não" com a mesma convicção que dizem "sim". Assim, fazem das pessoas, dos projetos e das causas extensões de si, motivados não pelo compromisso pessoal, mas pelo medo de não corresponder às expectativas das pessoas.

A esse "eu" corrompido, Manning o chama de "impostor", e acaba for definir:

O impostor é o codependente clássico. Para ser aceito e aprovado, o falso "eu" anula ou disfarça os sentimentos, tornando impossível a honestidade emocional. A sobrevivência do falso "eu" gera o desejo compulsivo de apresentar uma imagem de perfeição diante do público, de maneira que todos nos admirem e ninguém nos conheça. A vida do impostor se transforma numa montanha russa de júbilo e depressão.

Muitos acabam por buscar a sacieis do falso "eu", se envolvendo em experiências externas para dispor de uma fonte pessoal de significado, como por exemplo a busca por dinheiro, poder, glamour, proezas sexuais, reconhecimento e status potencializa a autovalorização e cria a ilusão de sucesso. O impostor é aquilo que ele faz. Ele nos predispõe a dar importância àquilo que não é importante de fato, revestindo de falso brilho o que é menos substancial e nos afastando do que é real. O falso "eu" nos faz viver num mundo de ilusões. O impostor é um mentiroso.

Importante nos atentarmos para o que o apóstolo João, em seu capítulo 10, verso 10, nos afirma: "O ladrão vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para lhes dar vida, uma vida plena, que satisfaz"[3].

Esse falso "eu", que age como um "ladrão" faz o possível para impedir que enxerguemos a realidade do vazio que há em nós. Um vazio que pode ser preenchido e saciado pela habitação do Espírito Santo, enviado por DEUS. Não pelas circunstâncias de minha volta, que atraem para uma felicidade momentânea e o meu "eu" continuará em uma busca frenética para alimentar suas necessidades.

Quando o falso "eu" se aproveita de minha preocupação com o externo, acaba por desviar minha atenção de DEUS que habita em mim e, por algum tempo, vem a roubar a alegria que deveria ser gerada pelo Espírito Santo que habita em mim.

Manning (2007) ainda acrescenta que a identidade dos impostores não é resultado apenas de suas conquistas, mas também dos relacionamentos interpessoais. Querem ficar bem com as pessoas de prestígios porque isso potencializa o currículo e o senso de valor próprio.

Quais os tipos de relacionamentos estamos buscando? A quem queremos agradar? João termina a citação de Jesus, quando descreve no decorrer do verso 10: "... Eu vim para lhes dar vida, uma vida plena, que satisfaz".

Faz-se necessário, nos rendermos ao Senhorio de Jesus Cristo, Ele é a pessoa a quem podemos nos relacionar, caso contrário, não se encontrará forças para transformar o nosso "eu impostor", que age e tenta nos destruir o tempo todo, arrastando-nos para baixo, ao ponto da imaturidade, como afirma o apóstolo Paulo.

01.1027.02.0401-03.0605

 
Não estamos aqui para agradar pessoas. Não fomos criados para uma decadência psicológica em função dos outros. Fomos criados para viver em Vida Plena no Senhor.

 

 

REFERÊNCIAS

Bíblia Nova Versão Transformadora. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/nvt>. Acessado em: 15 set. 2020.

MANNING, Brennam. O impostor que vive em mim. Tradução de Marson Guedes. 2ªed. São Paulo: Mundo Cristão, 2007.

PETERSON, Heugene H. Bíblia A MENSAGEM em Linguagem Contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2011.



[1] Pastor - redes sociais: @prrobinsonlaraujo - www.vivendoemvidaplena.teo.br

[2] Bíblia: A Mensagem.

[3] Bíblia Nova Versão Transformadora.